Template ou modelo é definido como um tipo de arquivo padrão, pré-formatado para fundamentar outros arquivos, principalmente documentos. Os modelos contêm um conjunto de elementos que são criados para padronizar a configuração de visualização através dos documentos finais. 

O uso de um bom template para o desenvolvimento de projetos permite ao usuário gastar menos tempo com formatação e representação de desenho e dedicar mais tempo à concepção do projeto. Os arquivos templates também fornecem informações precisas e um nível de consistência de dados (etapas de projeto, componentes, tabelas, entre outros).

O arquivo modelo do software Revit Architecture, por exemplo, como a maioria dos modelos de desenho, é um documento padrão usado para a criação de novos documentos, novos projetos.

Um template bem elaborado é essencial para melhorar a eficiência, qualidade, clareza e coerência de projetos. Tal como acontece com os modelos para outros programas de desenho, eles devem ser configurados para corresponder aos padrões do escritório ou padrão do usuário e devem ser compreendidos por todos os envolvidos no processo de projeto.

Os modelos são um conjunto de elementos e de configurações, e o usuário precisa conhecer bem o template em que trabalha para que possa utilizar as configurações da melhor forma possível em seus projetos.

Ao ser instalado, o software Revit vem com um conjunto de modelos padrão que podem ser aproveitados. Os arquivos templates podem ser construídos a partir desses modelos ou ainda podem ser construídos a partir do zero. Quando um novo projeto é criado, as configurações do modelo são copiadas para o mesmo. É importante ter em mente que um arquivo template Revit pode evoluir continuamente e, com isso, o usuário deve definir claramente suas normas e padrões de desenho para que os projetos desenvolvidos no Revit reflitam exatamente o padrão gráfico desejado.

Mas nem todos sabem a real importância de um template e o quanto isso interfere em todo o processo de projeto.

Muitos que desenvolvem projetos em Revit possuem dificuldades em entender o que são templates, como os criam, modificam, da mesma forma que possuem dificuldades em entender os conceitos da tecnologia BIM.

Pois bem, o conceito de template é igual em qualquer software que utilize uma base para o seu início de trabalho (como por exemplo, o Word: folha A4, tipo de letra Times New Roman, tamanho 12). Em Revit, o conceito é o mesmo: criação de vistas de plantas de pisos, criação de vistas de cortes e elevações, organização das vistas por disciplinas e subdisciplinas, unidades, componentes construtivos, objetos disponibilizados, simbologias, configurações e facilidades implementadas para facilitar a documentação de projetos.

Uma vez que a intenção é utilizarmos o mesmo template em todos os projetos, é possível torná-lo como base para todos os projetos (para quando iniciarmos um novo arquivo de projeto, este irá abrir com as informações já configuradas vindas do template).

Templates: Possibilidades e Importância

O uso de templates desenvolvidos como um novo método de projetar facilitam não só a visualização do projeto como um todo, mas também contemplam como a edificação será construída, em todas as suas etapas de projeto, incluindo o próprio processo de construção, além de facilitar a compatibilização dos projetos complementares.

Com o uso de templates que seguem este conceito, um projeto complexo que contenha viabilidade, anteprojeto, projeto legal, projeto executivo, entre outros, que demanda conhecimento de muitos profissionais e tecnologias, podem ser gerenciados com maior facilidade, já que estes facilitam o processo colaborativo sobre um modelo integrado.

Como principal função, os templates sustentam o conjunto de metodologias aplicáveis à nova tecnologia e demonstram como relacionar os domínios da gestão do processo de projeto e da tecnologia da informação.

Além de, os templates possibilitam uma grande capacidade de revisar e coordenar o que se projeta, devido aos procedimentos para controle da qualidade e gerenciamento das interfaces entre os agentes. Erros e colisões podem ser facilmente detectados, corrigidos e revisados, pois, é possível determinar regras e parâmetros que detectem automaticamente falhas e tolerâncias proporcionais que reduzem automaticamente o retrabalho e a quantidade de revisões em um projeto.

De forma a esclarecer as possibilidades do uso destes templates, segue abaixo algumas das características que são facilitadas pelo modelo integrado, ou ainda, o que estes templates promovem:

  • Melhorar a visualização dos dados e informações sobre o projeto, permitindo compreender e participar ativamente do processo de projeto;
  • Contribuir para melhorar a eficiência e qualidade da construção civil, com a intenção do melhor aproveitamento das ferramentas e dos elementos construtivos;
  • Aprimorar a coordenação dos documentos compartilhados da construção a fim de promover tanto a rápida troca de informações, como aumentar a produtividade e melhorar os prazos de entrega dos projetos destinados à execução da obra;
  • Proporcionar uma gestão de projetos que incorpore e compartilhe informações, ou seja, trocar o projeto hierárquico por projeto colaborativo de modo que todos coparticipem das decisões do projeto;
  • Identificar a organização da troca das informações mais adequada aos projetos integrados;
  • Criação do modelo 3D adaptado a qualquer tipo de cenário (insolação, esforços estruturais, acústica, etc.), o que pode resultar diferentes representações gráficas;
  • Visualização de todas as etapas de projeto em uma mesma cena;
  • Modelo e suas representações ou possibilidades de manipulação que o modelo permite;
  • Diferentes tipos de vistas que possibilitam diferentes tipos de representações gráficas (em plantas, cortes, elevações, perspectivas, etc.);
  • Integração dos consultores na construção, isto é, permitir que o trabalho de consultores externos possa ser integrado no projeto de forma a facilitar a construção;
  • Desenvolvimento de soluções nas diferentes disciplinas de projeto devido à integração de resultados e de verificações que o modelo permite por parte dos diferentes agentes envolvidos (arquitetos, contratantes, consultores, especialistas, projetistas, proprietários, etc.).

Assim sendo, podemos utilizar os templates em vários eixos de ação, bem como analisarmos a gestão integrada entre o processo de projeto e o processo da modelagem da informação.


O BIM tem sido definido em muitas publicações, seminários e workshops como uma tecnologia pronta a reduzir a fragmentação do setor da AEC e melhorar sua eficácia e eficiência.

Muito se fala e se escreve sobre BIM e observa-se no cotidiano um emaranhado dos conceitos de modelagem da informação com modelo da informação e poucos percebem a necessidade da gestão integrada entre o processo de projeto e o processo da modelagem da informação.

É visto que, com a crescente complexidade dos edifícios ao advento do BIM, existem duas engrenagens envolvidas em um todo: a gestão do processo de projeto e a gestão da modelagem da informação (o produto da interação entre eles são os modelos BIM). Essas duas engrenagens possuem interdependência em todo o processo, e para que gire de forma coordenada é necessária uma gestão eficaz desse movimento.

A complexidade crescente do processo de projeto introduziu ao longo do tempo a função de coordenador de projetos, pois, o projeto é um processo e, como tal, necessita de gestão para atingir seus objetivos.

A gestão do processo de projeto, independente do suporte tecnológico a ser utilizado, precisar existir. O advento do BIM traz radicais transformações para o processo de projeto e incorpora novas necessidades técnicas e organizacionais.

A concepção do BIM defende uma visão holística do edifício em todo o seu ciclo de vida, e termos como integração e colaboração são correntes em sua literatura, o que torna essa concepção mais coerente se utilizarmos um método no desenvolvimento de projetos que vise à integração do todo e do BIM como o agente integrador de processos e não apenas como um conjunto desarticulado de tecnologias e ferramentas.

Cabe Refletirmos:

O surgimento dos sistemas em BIM mostra que um novo paradigma para o trabalho colaborativo precisa ser criado. Percebe-se que as equipes de projeto continuam a trabalhar de maneira individual e com trocas de informação somente nos momentos de compatibilização. Na prática continua-se trabalhando de forma convencional, sem o aproveitamento dos benefícios possíveis da tecnologia BIM.

Consequentemente, a colaboração imaginada para o processo em BIM será muito difícil de ser conseguida com a utilização das metodologias de trabalho atualmente utilizadas. Desta forma, muitas empresas falharão em alcançar a eficiência e os benefícios que o BIM pode trazer para o trabalho colaborativo.

Partindo-se então das premissas de que a baixa produtividade do processo de projeto é resultado da falta de organização e da falta do uso de métodos adequados de gestão e de que o desenvolvimento de métodos e ferramentas de tecnologia da informação tem ocorrido de maneira dissociada, limitando o exercício das práticas de colaboração, cabe refletirmos as seguintes questões:

  • Como obtermos produtividade e eficiência no desenvolvimento de projetos em geral?
  • Como obtermos uma estrutura organizacional que possibilite o desenvolvimento de metodologias de gestão que possam dar suporte ao trabalho colaborativo?
  • Como organizarmos as etapas de projeto, o fluxo de trabalho e de informações através da gestão de um modelo em BIM?

Vamos apresentar a solução no próximo artigo, fique ligado!


A plataforma BIM (Building Information Modeling) pode ser um importante instrumento para criar um ambiente mais colaborativo e possibilitar a gestão e avaliação do projeto em todo o seu ciclo de vida, no qual as diferentes disciplinas possam integrar um modelo que reúna todos os aspectos das etapas da construção civil.

Conforme Eastman et al. (2008, p. 13), BIM é uma ”tecnologia de modelagem e um grupo associado de processos para produção, comunicação e análise do modelo de construção”.

O BIM corresponde a uma forma de simulação virtual da construção, onde modelamos de forma sequencial como na construção real de um edifício, que permite armazenar as informações necessárias em um banco de dados unindo-os em um único arquivo, com o qual estabelece uma conexão com os projetos (arquitetônico, elétrico, hidráulico, estrutural, prefeitura, dentre outros) de forma a facilitar a comunicação entre os conteúdos e todos os projetistas implicados na viabilização do projeto, pois ”o BIM melhora a visualização espacial do que está sendo concebido já que a qualquer momento do processo de projeto, é possível visualizar o modelo em 3D” (FLORIO, 2007, p.7).

Nos sistemas baseados na tecnologia BIM, ”design” deve ser entendido como projeto e não como desenho, pois gerenciam a informação no ciclo de vida completo de um empreendimento de construção, através de um banco de informações inerentes a um projeto, integrado à modelagem em três dimensões (COELHO, 2008, p. 3).

Um bom processo de projeto, conduzido com o auxílio de ferramentas de tecnologia de informação adequadas, é o pilar fundamental da qualidade dos processos de construção e dos edifícios resultantes (MOUM, 2006).

Um projeto bem desenvolvido inegavelmente reduz dúvidas, erros e retrabalhos durante a execução da obra. O resultado da simulação das diferentes áreas é essencial à qualidade do projeto. Essas informações são organizadas visual e interativamente, tornando-se a principal fonte para as equipes responsáveis pela execução, de modo que o projeto confere legibilidade e viabilidade às intenções do arquiteto.

Os aspectos fundamentais da plataforma BIM são a modelagem paramétrica para desenvolvimento de um modelo único, a interoperabilidade, que é a integração, colaboração e troca de informações dos envolvidos, e a possibilidade de gestão e avaliação do projeto em todo o seu ciclo de vida. Essa capacidade de gestão e avaliação dos vários aspectos do empreendimento permite, por meio de tecnologia, tratar o projeto realmente como multidimensional (RUSCHEL et al., 2010).

De acordo com Andrade e Ruschel (2009a, 2009b), uma prática baseada em BIM pode ser decisiva na melhoria das fases do projeto, concorrendo para gerar propostas coerentes com a solicitação dos clientes, para integrar projetos entre si e com a construção e para reduzir o tempo e o custo da construção. Em síntese, BIM é uma prática de projeto integrado e colaborativo na qual os envolvidos fazem convergir suas habilidades para elaborar um modelo único.

Adotar a plataforma BIM não se restringe a implantar uma nova tecnologia, mas implica mudar os fluxos de trabalho, que passam a transcorrer em ambiente colaborativo e a ter planejamento desde as fases iniciais do projeto. O novo modelo de colaboração envolve recursos avançados de visualização, aliados à transferência contínua de informações entre os diversos participantes do processo de projeto (projetistas, construtores, contratantes, consultores etc.) e, para tanto, a organização dos dados é fundamental (COELHO, 2008, p. 6).

O Prof. Wilson Florio (2007, p. 8) define o processo colaborativo aplicado à metodologia de projeto como produção e compartilhamento do conhecimento, uso de computadores e comunicações eletrônicas, rapidez de acesso e do fluxo de informações, ensejando uma gestão que distribua responsabilidades de modo que todos coparticipem das decisões do projeto.

O uso do BIM no projeto colaborativo pode contribuir tanto para o processo de levantamento de custos de materiais e as quantificações dos objetos, como para os prazos para a execução (FLORIO, 2007, p. 8).

Os elementos construtivos são paramétricos, interconectados e integrados espacialmente, são representados tridimensionalmente, porém a qualquer momento é possível a visualização bidimensional, em qualquer vista. O usuário tem também a liberdade de manipular o objeto no espaço de desenho, permitindo ver detalhes do modelo construído. Alguns elementos têm fórmulas embutidas que remetem a um comportamento do objeto modelado, como por exemplo, escadas (CRESPO e RUSCHEL, 2007a, p. 6).

Cada elemento possui informações de acordo com as suas características, os elementos podem ser paramétricos, onde o usuário somente modifica valores, elementos básicos (como paredes, pilares, portas, etc.,) normalmente já vêm parametrizados nos softwares convencionais BIM, porém nem todo elemento é paramétrico, existem famílias que não precisam ser parametrizadas. Os parâmetros simulam com precisão o elemento e seus dados vinculados que estão inclusos no modelo, como cor, textura, custos e sistemas de funcionamento.

Apesar de a plataforma BIM parecer uma evolução das ferramentas CAD (Computer-Aided Design), temos aqui uma nova ordem de assistência que muda o escopo do desenho para o projeto, mudando, assim, totalmente a forma de lidar com os processos de projeto demandados pela arquitetura, sobretudo na sua relação com a construção, pois gerenciam a informação no ciclo de vida completo de um empreendimento de construção, por meio de um banco de informações integrado à modelagem em três dimensões (COELHO, 2008, p. 3).

Obstáculos do BIM em Contexto Colaborativo

O cenário atual é de crescimento para o BIM, mas nota-se que este crescimento vem encontrando dificuldades com a falta de usuários capacitados, mão de obra especializada, acesso a softwares 3D, tanto do segmento de arquitetura, quanto de engenharia e demais projetos complementares. Erroneamente muitos passaram a enxergar o BIM como simplesmente softwares modeladores 3D sem ligação com a construção civil, a obra.

A crescente difusão do uso da plataforma BIM mostra que um novo paradigma para o trabalho integrado em projeto precisa ser criado. Em diferentes países e cenários é visto muitas barreiras a serem transpostas para o aproveitamento pleno dos benefícios do BIM. Faltam conhecimentos sobre a integração da nova tecnologia para a melhoria do processo de projeto. Neste contexto, a escassez de métodos que busquem a integração entre o domínio da gestão do processo de projeto e a tecnologia BIM motivou o desenvolvimento do presente artigo.

Para garantir modelos de planejamento de obra que prevejam toda a organização dos espaços, evitando erros e retrabalhos, não são mais desenvolvidos utilizando apenas gráficos clássicos de programação. Mesmo com o uso da tecnologia BIM, nota-se cada vez mais a necessidade da melhoria das práticas da gestão de projeto.

Para o aproveitamento de todo o potencial do BIM, os agentes participantes do processo de projeto devem ser capazes de utilizar a tecnologia para se adaptar as formas de colaboração e de trabalho integrado, e isso só será eficaz quando essa habilidade for incorporada em uma organização, sendo absolutamente necessário que os participantes estejam aproximadamente no mesmo nível de maturidade.

A ineficácia de um processo de projeto de edificações aponta para a necessidade da evolução da gestão do processo de projeto. O BIM surge como uma solução, mas é também preciso avaliar se não estamos avançando para um novo patamar sem resolver problemas existentes na configuração atual da gestão de projetos.