O Ato de Projetar com a tecnologia BIM

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A plataforma BIM (Building Information Modeling) pode ser um importante instrumento para criar um ambiente mais colaborativo e possibilitar a gestão e avaliação do projeto em todo o seu ciclo de vida, no qual as diferentes disciplinas possam integrar um modelo que reúna todos os aspectos das etapas da construção civil.

Conforme Eastman et al. (2008, p. 13), BIM é uma ”tecnologia de modelagem e um grupo associado de processos para produção, comunicação e análise do modelo de construção”.

O BIM corresponde a uma forma de simulação virtual da construção, onde modelamos de forma sequencial como na construção real de um edifício, que permite armazenar as informações necessárias em um banco de dados unindo-os em um único arquivo, com o qual estabelece uma conexão com os projetos (arquitetônico, elétrico, hidráulico, estrutural, prefeitura, dentre outros) de forma a facilitar a comunicação entre os conteúdos e todos os projetistas implicados na viabilização do projeto, pois ”o BIM melhora a visualização espacial do que está sendo concebido já que a qualquer momento do processo de projeto, é possível visualizar o modelo em 3D” (FLORIO, 2007, p.7).

Nos sistemas baseados na tecnologia BIM, ”design” deve ser entendido como projeto e não como desenho, pois gerenciam a informação no ciclo de vida completo de um empreendimento de construção, através de um banco de informações inerentes a um projeto, integrado à modelagem em três dimensões (COELHO, 2008, p. 3).

Um bom processo de projeto, conduzido com o auxílio de ferramentas de tecnologia de informação adequadas, é o pilar fundamental da qualidade dos processos de construção e dos edifícios resultantes (MOUM, 2006).

Um projeto bem desenvolvido inegavelmente reduz dúvidas, erros e retrabalhos durante a execução da obra. O resultado da simulação das diferentes áreas é essencial à qualidade do projeto. Essas informações são organizadas visual e interativamente, tornando-se a principal fonte para as equipes responsáveis pela execução, de modo que o projeto confere legibilidade e viabilidade às intenções do arquiteto.

Os aspectos fundamentais da plataforma BIM são a modelagem paramétrica para desenvolvimento de um modelo único, a interoperabilidade, que é a integração, colaboração e troca de informações dos envolvidos, e a possibilidade de gestão e avaliação do projeto em todo o seu ciclo de vida. Essa capacidade de gestão e avaliação dos vários aspectos do empreendimento permite, por meio de tecnologia, tratar o projeto realmente como multidimensional (RUSCHEL et al., 2010).

De acordo com Andrade e Ruschel (2009a, 2009b), uma prática baseada em BIM pode ser decisiva na melhoria das fases do projeto, concorrendo para gerar propostas coerentes com a solicitação dos clientes, para integrar projetos entre si e com a construção e para reduzir o tempo e o custo da construção. Em síntese, BIM é uma prática de projeto integrado e colaborativo na qual os envolvidos fazem convergir suas habilidades para elaborar um modelo único.

Adotar a plataforma BIM não se restringe a implantar uma nova tecnologia, mas implica mudar os fluxos de trabalho, que passam a transcorrer em ambiente colaborativo e a ter planejamento desde as fases iniciais do projeto. O novo modelo de colaboração envolve recursos avançados de visualização, aliados à transferência contínua de informações entre os diversos participantes do processo de projeto (projetistas, construtores, contratantes, consultores etc.) e, para tanto, a organização dos dados é fundamental (COELHO, 2008, p. 6).

O Prof. Wilson Florio (2007, p. 8) define o processo colaborativo aplicado à metodologia de projeto como produção e compartilhamento do conhecimento, uso de computadores e comunicações eletrônicas, rapidez de acesso e do fluxo de informações, ensejando uma gestão que distribua responsabilidades de modo que todos coparticipem das decisões do projeto.

O uso do BIM no projeto colaborativo pode contribuir tanto para o processo de levantamento de custos de materiais e as quantificações dos objetos, como para os prazos para a execução (FLORIO, 2007, p. 8).

Os elementos construtivos são paramétricos, interconectados e integrados espacialmente, são representados tridimensionalmente, porém a qualquer momento é possível a visualização bidimensional, em qualquer vista. O usuário tem também a liberdade de manipular o objeto no espaço de desenho, permitindo ver detalhes do modelo construído. Alguns elementos têm fórmulas embutidas que remetem a um comportamento do objeto modelado, como por exemplo, escadas (CRESPO e RUSCHEL, 2007a, p. 6).

Cada elemento possui informações de acordo com as suas características, os elementos podem ser paramétricos, onde o usuário somente modifica valores, elementos básicos (como paredes, pilares, portas, etc.,) normalmente já vêm parametrizados nos softwares convencionais BIM, porém nem todo elemento é paramétrico, existem famílias que não precisam ser parametrizadas. Os parâmetros simulam com precisão o elemento e seus dados vinculados que estão inclusos no modelo, como cor, textura, custos e sistemas de funcionamento.

Apesar de a plataforma BIM parecer uma evolução das ferramentas CAD (Computer-Aided Design), temos aqui uma nova ordem de assistência que muda o escopo do desenho para o projeto, mudando, assim, totalmente a forma de lidar com os processos de projeto demandados pela arquitetura, sobretudo na sua relação com a construção, pois gerenciam a informação no ciclo de vida completo de um empreendimento de construção, por meio de um banco de informações integrado à modelagem em três dimensões (COELHO, 2008, p. 3).

Obstáculos do BIM em Contexto Colaborativo

O cenário atual é de crescimento para o BIM, mas nota-se que este crescimento vem encontrando dificuldades com a falta de usuários capacitados, mão de obra especializada, acesso a softwares 3D, tanto do segmento de arquitetura, quanto de engenharia e demais projetos complementares. Erroneamente muitos passaram a enxergar o BIM como simplesmente softwares modeladores 3D sem ligação com a construção civil, a obra.

A crescente difusão do uso da plataforma BIM mostra que um novo paradigma para o trabalho integrado em projeto precisa ser criado. Em diferentes países e cenários é visto muitas barreiras a serem transpostas para o aproveitamento pleno dos benefícios do BIM. Faltam conhecimentos sobre a integração da nova tecnologia para a melhoria do processo de projeto. Neste contexto, a escassez de métodos que busquem a integração entre o domínio da gestão do processo de projeto e a tecnologia BIM motivou o desenvolvimento do presente artigo.

Para garantir modelos de planejamento de obra que prevejam toda a organização dos espaços, evitando erros e retrabalhos, não são mais desenvolvidos utilizando apenas gráficos clássicos de programação. Mesmo com o uso da tecnologia BIM, nota-se cada vez mais a necessidade da melhoria das práticas da gestão de projeto.

Para o aproveitamento de todo o potencial do BIM, os agentes participantes do processo de projeto devem ser capazes de utilizar a tecnologia para se adaptar as formas de colaboração e de trabalho integrado, e isso só será eficaz quando essa habilidade for incorporada em uma organização, sendo absolutamente necessário que os participantes estejam aproximadamente no mesmo nível de maturidade.

A ineficácia de um processo de projeto de edificações aponta para a necessidade da evolução da gestão do processo de projeto. O BIM surge como uma solução, mas é também preciso avaliar se não estamos avançando para um novo patamar sem resolver problemas existentes na configuração atual da gestão de projetos.


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